O que aconteceu no intervalo

Contem as bolinhas no chão. No intervalo não dá para ver nada, e no fim o número é outro: falta descobrir o que aconteceu enquanto ninguém via.

Sobre esta ferramenta

Um chão com bolinhas em cima e um número que a turma conta em voz alta. Depois vem o intervalo: as bolinhas não ficam escondidas atrás de nada — enquanto ele dura, elas simplesmente não são desenhadas, então não há o que espiar. Sobra o próprio chão, e por ele passa um único pulso, para dentro ou para fora. Esse pulso diz que aconteceu alguma coisa e para que lado. Ele é igualzinho para uma bolinha e para seis: a quantidade ele nunca entrega.

Quando o intervalo acaba, conta-se de novo. O começo se sabe, o fim se sabe, e o que ninguém viu é justamente o tamanho da mudança. É a pergunta que os cadernos quase nunca trazem: em três de quatro livros de 1.º ano examinados nos anos 1980 ela não apareceu nenhuma vez. É mais difícil que a pergunta comum pelo resultado, e essa dificuldade merece uma conversa na aula em vez de uma correção.

Uma criança diz a ideia dela tocando um número. A ferramenta representa a ideia e chega aonde chega — no mesmo chão, na mesma cor e no mesmo tamanho. Nenhuma comparação é calculada em lugar nenhum: nada fica verde, nada fica vermelho, nenhuma frase diz errado. A criança vê que dois números não são iguais e segue dali. Não há pontos nem relógio. Esta rotina é baseada em pesquisa, mas não em provas de eficácia: descrevemos o que a ferramenta faz e não afirmamos nenhum efeito medido.

Aqui tudo é grátis: cada chão novo, cada intervalo e quantas tentativas a turma quiser. O plano Professor acrescenta a folha impressa, com o chão antes e depois exatamente como a turma acabou de ver, e linhas pautadas para as sentenças matemáticas que ela escreveu.

Como usar em sala de aula

  • Distribua um chão e contem juntos em voz alta. Nada é cronometrado: contar pode levar o tempo que precisar.
  • Comece o intervalo. Peça que a turma olhe para o chão: é a única coisa que fica, e ele mostra só uma coisa — entrou alguma coisa, ou saiu alguma coisa.
  • Quando acabar, contem de novo e escreva os dois números à vista de todos. Aí vem a pergunta de verdade: quantas, enquanto ninguém via?
  • Pegue a ideia de uma criança e toque nesse número. A ferramenta parte da primeira contagem e chega aonde essa ideia leva. Se chegar a outro lugar do que a turma contou, não é erro e sim informação — pergunte o que ela diz a vocês.

Ideias para a sala de aula

  • Dois minutos por dia: um chão, um intervalo e uma conta na lousa. A conta é o objetivo; contar é o caminho.
  • Recolha três ideias diferentes e escreva todas antes de tocar em qualquer coisa. Depois represente uma por uma e deixe a turma ver aonde cada uma chega.
  • Use a mesma contagem inicial duas vezes: uma com algo entrando e outra com algo saindo. A única diferença é o pulso, e vale perguntar o que a turma viu de fato.