Meu quadro para falar

Uma criança sem palavras toca uma imagem, e a turma escuta.

Sobre esta ferramenta

O quadro dá voz a uma criança recém-chegada logo na primeira manhã. Sessenta e oito imagens em seis grupos pequenos — e as oito mais importantes ficam sempre na tela, sempre no mesmo lugar. Sim. Não. Preciso de ajuda. Não entendi. Preciso ir ao banheiro. Pare. Olhe para mim, por favor. Já terminei. Um toque e a frase é dita em voz alta, na língua da sala. Não é ensino de vocabulário nem é um teste: é um jeito de ser ouvido no primeiro dia, antes de ter aprendido uma única palavra da língua nova.

As imagens vêm primeiro, e isso é uma decisão, não um estilo. Um desenho é entendido por qualquer criança, seja qual for a língua dela: por isso o quadro serve para a criança ucraniana, árabe, turca ou somali que chega em novembro numa turma em português — é para ela que ele existe. Se a língua de casa for uma das nossas onze, você pode acrescentá-la e cada cartão passa a ter duas linhas. Isso é um extra, nunca a condição — e quando está lá, a língua de casa vem primeiro, do mesmo tamanho e da mesma cor, porque a língua de uma criança não é a menor.

Nada é medido sobre a criança. Não há nível, nem pontuação, nem barra de progresso, nem registro de quais cartões foram tocados — todo produto nessa área guarda um, e é justamente a parte que faz mal. O quadro é gratuito e continua sendo, e os cartões de recortar para o cordão também: a voz de uma criança não se vende, e o cartão impresso é só o quadro no papel, para o corredor e o pátio. O plano Professor acrescenta o lado do adulto: o cartaz de parede, a folha de ida e volta para a família e guardar mais de três frases suas.

Como usar em sala de aula

  • Abra na tela da turma, ou entregue um tablet à criança. Os oito cartões mais urgentes já estão ali e nunca mudam de lugar; os seis grupos abaixo trazem o resto.
  • A criança toca uma imagem. O aparelho diz a frase inteira em voz alta na língua da sua sala, com calma, para que a turma ouça o pedido e não o sotaque.
  • Se a língua de casa for uma das onze, toque uma vez em «Adicionar a língua da criança». Cada cartão passa a mostrar as duas linhas, a de casa primeiro.
  • Deixe aberto num tablet ao lado da carteira dela nas primeiras semanas. Funciona melhor quando ninguém precisa pedir.
  • Imprima de graça os cartões de recortar, para que as frases acompanhem a criança ao corredor, ao pátio e para casa.
  • Toque em “Para o professor” para acrescentar uma frase de que esta turma precisa — escolha um começo, complete na voz da criança, escolha uma imagem. Três são grátis de guardar.

Ideias para a sala de aula

  • Mostre o quadro para a turma toda na primeira manhã e toquem dois ou três cartões juntos: assim vira coisa de todo mundo e não coisa à parte.
  • Deixe um colega segurar o tablet na primeira semana. Tocar um cartão a dois é a conversa mais simples possível entre duas crianças que não têm nenhuma língua em comum.
  • Use também no sentido contrário: toque «Onde eu devo ir?» e aponte — o corredor está explicado sem uma palavra de língua comum.
  • Ponha o cartão impresso na carteira e outro na mochila. As frases importam mais onde não tem tela: o banheiro, o pátio, a saída.