A parede que se fecha

Cem plaquinhas na estante: a turma recolhe o 1, o 2, o 5 e o 10, empilha o que se repete — e sobram 21 contas para o ano inteiro.

Sobre esta ferramenta

Na tela, cem plaquinhas cor de creme numa estante verde-escura. Cada plaquinha mostra só o resultado — o 21, o 48, o 63 —, e os dois fatores ficam nas bordas: as linhas descem pela esquerda, as colunas atravessam por cima. Não há sinal de vezes na estante, nem uma palavra sequer, e nada acontece sozinho: quem decide o que sai é a turma.

Quatro botões recolhem o 1, o 2, o 5 e o 10 — a linha e a coluna de cada um, juntas. Não é atalho nem generosidade: a turma já era dona desses quatro antes de ouvir falar em multiplicação. O 1 não muda nada, o 2 é o dobro que veio da adição, o 5 é a contagem de cinco em cinco do relógio e das mãos, o 10 é o próprio sistema de numeração. A cada botão a estante se fecha e as plaquinhas que sobram crescem — cem, 81, 64, 49, 36. Depois, um quinto botão recolhe tudo o que está abaixo da diagonal, porque aquele número já está de pé do outro lado, e cada plaquinha que fica passa a segurar outra embaixo. Sobram 21. As plaquinhas da diagonal nunca saem: elas não têm par.

Três pratos de quatro continuam não sendo quatro pratos de três — a situação é outra, e a estante nunca diz o contrário. O que ela diz é que os dois dão doze, e que o doze só precisa ser guardado de cor uma vez. É a propriedade comutativa usada como vantagem de cálculo, que a BNCC pede quando fala em construir os fatos básicos da multiplicação para o cálculo mental e em usar as propriedades das operações como estratégia. Isto não é uma sabatina de tabuada contra o relógio: não há tempo, nem pontuação, nem acerto e erro. E não existe estudo de eficácia desta estante — o que existe é uma estratégia de fatos derivados que os currículos já prescrevem, aqui virada aparelho de sala.

Como usar em sala de aula

  • Projete a estante cheia e deixe a turma olhar antes de tocar em qualquer coisa. Pergunte quantas dessas cem a gente teria mesmo que decorar.
  • Toque no 1. A linha e a coluna do 1 saem juntas e a estante se fecha, com as plaquinhas restantes maiores. Pergunte por que ninguém sentiu falta delas.
  • Faça o mesmo com o 2, o 5 e o 10, um de cada vez, sempre com a mesma pergunta antes: o que a gente já sabia sobre esse aqui, antes da multiplicação?
  • Com os quatro recolhidos, toque em empilhar. Tudo o que está abaixo da diagonal sai, e cada plaquinha que fica passa a segurar outra embaixo — a mesma resposta, guardada uma vez só.
  • Toque em qualquer plaquinha e todas as outras que têm aquele mesmo número acendem junto, com os números das bordas. Toque no 36 e pergunte à turma quantas responderam, e por quê.

Ideias para a sala de aula

  • Rotina de início de ano: monte a estante uma vez com a turma inteira e deixe o resultado no mural. Durante o ano, quando alguém disser que não sabe a tabuada, volte à lista — é ela que a turma precisa, e não as cem.
  • Antes de recolher cada família, faça a pergunta que importa: por que a gente já sabia essa? O 5 costuma render a melhor conversa, porque a turma lembra sozinha do relógio e dos dedos.
  • As plaquinhas da diagonal nunca saem. Não aponte isso: espere alguém perceber que elas ficaram numa linha reta e deixe a criança explicar por que aquelas não têm par do outro lado.
  • Com o plano Professor, imprima a estante do jeito que ela ficou e a lista embaixo. Cada criança copia a própria lista no caderno — foi a turma que fez, e é dela.