A Figura que Entorta
Girem a figura o quanto quiserem: nenhuma marquinha aparece nem some. Entortem, e uma marquinha solta — inclinar e enviesar se parecem, e só um dos dois devolve uma figura diferente.
Sobre esta ferramenta
Um painel com uma figura em cima e duas marquinhas presas nela: uma diz que todos os lados têm o mesmo tamanho, a outra que os cantos são retos. Três controles movem a figura — alongar, entortar, girar — e as marquinhas respondem. Girar é o controle que nunca muda nada, e não tem nenhum encaixe, porque um encaixe marca o ponto em que atravessar solta uma marquinha e nesse controle esse ponto não existe. O aparelho diz isso pelo próprio formato, antes de alguém encostar nele.
Entortar é outra história. Entortem o bastante e a marquinha dos cantos retos solta: sobra uma figura com quatro lados iguais que já não é um quadrado. É para essa distinção que o painel foi feito: inclinar e enviesar deixam os dois o quadrado torto, e só um deles custa alguma coisa. Em outros lugares deste site a figura chega já torta ou alongada e a turma decide em que caixa ela vai; aqui é a turma que faz a mudança e vê a fronteira sendo atravessada.
Que um quadrado torto seja reconhecido com mais dificuldade do que um em pé já foi observado em crianças de trinta meses, muito antes de qualquer escolarização: não é a sala de aula que produz isso, e ninguém mostrou o que produz. Ao deixar uma figura ao lado, ela fica no painel junto da que está na mão, então duas figuras são comparadas lado a lado em vez de lembradas uma depois da outra. Nada é marcado como certo ou errado: uma marquinha informa uma propriedade e volta exatamente com a mesma intensidade com que saiu, mesma cor, mesmo percurso. Não há pontos nem relógio. Esta rotina é baseada em pesquisa, não em evidência de eficácia: descrevemos o que o aparelho faz e não afirmamos nenhum efeito medido.
Aqui tudo é grátis — todas as figuras, girar, alongar e entortar, as marquinhas e a figura que fica ao lado. O plano Professor traz ainda a folha impressa, que leva o painel do jeito que a turma deixou e linhas pautadas para escrever.
Como usar em sala de aula
- Peguem uma figura e girem, uma volta inteira se alguém pedir. Perguntem o que aconteceu com as marquinhas. Nada — e esse controle não tem encaixes, então o aparelho já disse antes de vocês.
- Agora peguem o controle de entortar e andem devagar. Parem no instante em que uma marquinha soltar e perguntem o que ainda é verdade nessa figura e o que deixou de ser.
- Deixem essa figura ao lado e tragam a outra de volta até a marquinha aparecer outra vez. Agora as duas estão lado a lado no mesmo painel, e é disso que se trata: são comparadas, não lembradas uma depois da outra.
- Deem uma tarefa à turma: fazer todas as marquinhas segurarem ao mesmo tempo. Depois uma mais difícil: soltar exatamente uma, e só uma.
Ideias para a sala de aula
- Dois minutos para começar a aula: uma figura girada uma volta inteira e depois entortada até uma marquinha soltar. Uma frase na lousa sobre o que mudou e o que não mudou.
- Peçam uma previsão antes de mexer no controle — esta aqui vai perder uma marquinha? — e escrevam todas as previsões antes de qualquer coisa acontecer.
- Mudem o painel para três lados. No aparelho inteiro existem exatamente dois ajustes que colocam um canto reto numa figura de três lados, e achá-los é uma caçada de verdade.